Terça-feira, 7 de Abril de 2009

(Peru) Dia 03: Arequipa

Quando acordamos, às 8h, já estávamos dentro da cidade de Arequipa. Desembarcamos na rodoviária, perguntamos por algumas informações turísticas e então pegamos um táxi até a Plaza de Armas, que é o centro da cidade. Ficamos até 10h30 procurando um albergue para ficar e optamos pelo Inka Roots, que fica bem no centro (na Calle Sta. Catalina).

Depois de instalados, saímos para procurar uma agência para fazer o trekking pelo Canyon Colca e almoçar. Novamente almoçamos em um lugar popular, que fica na própria Plaza de Armas, e cuja comida foi deliciosa e barata. Depois de comer, acertamos com a AI Expeditions (que nos fez o melhor preço) o passeio ao Vale do Colca para o dia seguinte cedo. Aproveitamos que estávamos na rua e fomos descarregar as fotos.

Igreja da Compañía de Jesus de ArequipaAproveitamos o restante da tarde para conhecer um pouco da cidade de Arequipa. Fomos ao Museu Municipal (na Plaza San Francisco) e o Convento San Francisco e tivemos tempo de voltar à Plaza de Armas para tirar algumas fotos da imponente Catedral de Arequipa (foto ao lado), da fachada do Teatro Municipal, do Interbank e da Igreja da Compañía de Jesus; todos com fachada feita de Sillar e decoradas em cantaria. Ainda assim, deixamos de conhecer muita coisa nessa cidade magnífica.

Ao final do dia, voltamos ao albergue para pegar roupas de frio e só então fomos telefonar, comprar algumas lembranças e jantar. Nesse meio tempo fomos surpreendidos por uma procissão de semana santa em plena 3º-feira e só depois de ficar uns 30min assistindo-a é que fomos jantar efetivamente. Como o comércio fecha cedo, às 22h voltamos ao albergue para arrumar as coisas para o trekking do Canyon Colca, pois partiríamos às 3h30, em um ônibus da agência que nos buscaria no hotel. Devido à ansiedade, dormir às 23h não foi fácil.

DICA:
  • Se possível, prefira fotografar as atrações arquitetônicas pela manhã pois a iluminação natural é mais favorável.


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Segunda-feira, 6 de Abril de 2009

(Peru) Dia 02: Paracas - Nazca - Arequipa

Islas BallestasAcordamos as 6h e nos aprontamos rapido para sair em 30min para a Reserva de Paracas. Depois de 1h15 de van embarcamos em um dos vários barcos que levam turistas à visitação. A beleza natural e a quantidade de animais (foto ao lado), assim como o fedor das aves, são surpreendentes!

Às 10h30 voltamos para terra firme e só então tomamos café da manhã enquanto esperávamos o grupo se reunir para voltarmos. Retornando a Huacachina, demos uma volta para conhecer o lugar (que é bem pequeno) e voltamos para o centro de Ica, dessa vez de táxi, para pegar um ônibus para Nazca!

Saímos de Ica as 14h e chegamos a Nazca às 16h30 e entramos na primeira agência de turismos que vimos (Alegria Tour, que fica em frente ao terminal) e compramos um passeio para sobrevoar as linhas de Nazca na mesma hora. Conseguimos comprar apenas o último vôo (que decola às 17:30 e tem duração de 30min) e fomos um pouco prejudicados pela luminosidade ruim do final do dia. Entretanto, a habitual turbulência foi menor do que se tivéssemos ido cedo.

Saímos do vôo as 18:00 e voltamos para o centro de Nazca. Compramos passagens para Arequipa (pela Oltursa) e fomos matar o tempo. Jantamos em um restaurante bem simples e pagamos o equivalente a US$2,00 em cada prato: um Chicharron, um Arroz Faucha e um Cheviche. Depois de jantar ainda tivemos tempo de ir em um supermercado, de tomar umas cervejas e dar uma volta pelo centro da cidade (que não tem nada de muito de interessante). Infelizmente, embarcamos rumo a Arequipa sem ter visto o cemitério ou os aquedutos de Nazca.

Como a viagem era de 8h, optamos por um ônibus mais confortável e às 22h, logo depois de embarcarmos, serviram-nos um jantar a bordo: meio frango frito com batata, tudo altamente engordurado e indigesto – ótimo para aumentar as chances de alguém passar mal no trajeto

DICA:
  • Não esqueça de passar protetor solar ou de levar seus óculos escuros no passeio às Islas Ballestas.
  • No Peru, ônibus melhores e mais confortáveis costumam ter serviço de bordo e refeições inclusas. Exatamente como em aviões, guardada as devidas proporções.
  • No trecho de Ica a Nazca, prefira a janela direita do ônibus pois as paisagens são muito bonitas.


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Domingo, 5 de Abril de 2009

(Peru) Dia 01: Guarulhos – Lima - Ica

desertos de altiplano.Pegamos o vôo às 8h25 em Guarulhos e chegamos em Lima às 11h50. Telefonamos para nossas famílias, procuramos informações turísticas e saímos do aeroporto só às 13h. Fomos de taxi até o terminal rodoviário da Soyus e pegamos o ônibus de 14h10 (ônibus velho e nada parecido com os que aparecem no site) para Ica.

Foram 4h30 de belezas naturais (foto ao lado) e destruição, pois em 15/08/2009, um terremoto de 7,9º na escala Richter arrasou o sul do Peru. Quando chegamos em Ica ja era noite e o trânsito caótico e os motoristas nervosos influenciaram na demora da viagem.

Uma vez lá seguimos direto para Huacachina, que é um oásis bastante procurado pelos turistas que visitam a região. Nos hospedamos no albergue Carola Del Sur e, depois de muito pechinchar, já acertamos na pousada mesmo a visita à Reserva de Paracas para a manhã seguinte. Saímos logo em seguida para jantar porque, com exceção da comida do avião, ainda não tínhamos comido nada. Fomos ao Arturo’s, um restaurante qualquer nos arredores, e descobrimos que falta de luz elétrica é corriqueira em Huacachina. Depois de jantar voltamos ao bar do albergue, aparentemente a melhor opção dos arredores, para finalizar a primeira noite com uma cerveja. Ficamos lá até as 22h30 quando novamente a luz acabou e nós resolvemos aproveitar a escuridão para ir dormir.

DICA:
  • No aeroporto, pegue táxi na rua e não dentro do terminal. É bem mais barato, e igualmente seguro. Mas exija a credencial de taxista regulamentado!
  • A empresa Soyus possui muito mais horários (para todas as regiões do sul do Peru) que a famosa Cruz Del Sur. Entretanto seus os ônibus não são novos nem possuem ar condicionado.
  • Na ida de Lima para Ica, sente-se numa janela do lado direito. A paisagem vale a pena!


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Domingo, 15 de Março de 2009

(Peru) Preparativos

mapa PeruA pretensão de conhecer o Peru surgiu em 2008, mas depois de muita pesquisa veio a surpresa: a Trilha Inca, uma das minhas metas nesta viagem, precisava ser reservada com muita antecedência! Por causa disso, e apenas disso, a viagem pela Estrada Real em 2008 (que motivou esse Blog) surgiu como uma alternativa. Como a viagem inteira já estava planejada, seria difícil que algo me impedisse de conhecer Machu Picchu e o legado do Império Inca muito em breve.

Então, no início de 2009, convidei o Márcio (meu amigo de infância) para viajar comigo e ele então convidou o Rodrigo (seu amigo de trabalho, que eu desconhecia até então). No início de fevereiro o grupo já estava formado, com todos comprometidos e férias agendadas. Reservamos a Trilha Inca (reserva de US$100 por pessoa) para 20/04/2009, sem possibilidade de devolução ou alterações de qualquer natureza.

Com essa data fixada, comprávamos os equipamentos que faltavam enquanto procurávamos passagens aéreas mais em conta. Para nossa sorte, em março teve uma promoção da TAM no trecho Guarulhos-Lima: ida e volta por R$425,00 incluindo taxas! Mais que rapidamente compramos as passagens que definiriam a data de inicio da viagem: 04 de abril de 2009.

Na idéia inicial, o Márcio e o Rodrigo voltariam no dia 24/04/2009 e eu ficaria até 04/05/2009, mas como em toda viagem de mochilão que se preze, muitas coisas mudaram no decorrer da viagem...

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Domingo, 1 de Março de 2009

Pensando leve, viajando Ultraleve

Comparação de mochilasHá algum tempo se fala muito, principalmente nos EUA, sobre a filosofia de Excursionismo Ultraleve (Ultralight Backpacking), onde se discute as vantagens de viajar com o mínimo de peso possível. Inicialmente essa filosofia era voltada para trilhas de longa duração, mas com a evolução dos materiais, design e métodos de fabricação de equipamentos e alimentos, hoje ela pode ser aplicada a qualquer viagem de qualquer duração.

A principal pergunta que talvez passe pela cabeça das pessoas é: Porque viajar Ultraleve? A resposta vem do fato de que carregar peso é uma necessidade e não o objetivo da viagem; então fazê-la com o mínimo de peso possível irá torná-la mais agradável como um todo. Seja uma trilha de 1 dia perto de casa ou um mochilão pela Europa, seus ombros, costas e joelhos sofrerão menos quanto menor for o peso que você colocar sobre eles, e mesmo que isso comprometa um pouco de conforto, acabará valendo a pena.

A filosofia de Excursionismo Ultraleve presa por algumas regras, que podem ser sintetizadas nos 9 PASSOS abaixo:

PASSO 1: Liste ou “Não estou esquecendo nada?”
Não esqueça de nada importante, mas leve apenas o necessário!
Para evitar ser vitima da tentação ou do esquecimento, faça uma lista com tudo que você precisa levar e classifique cada item como: Indispensável, Importante ou Opcional.

PASSO 2: Avalie ou “Vale a pena levar tudo isso?”
Arrume uma balança, pese tudo que você pretende levar e anote o peso individual de cada item na lista que você fez no PASSO 1!
As coisas mais pesadas e as classificadas como Opcional devem será avaliadas com mais critério. Isso deixará claro que enlatados, embora saborosos, podem não ser uma boa idéia.

PASSO 3: Repense ou “O que eu posso eliminar?”
Normalmente após o PASSO 2 descobrimos vários excessos e notamos que mesmo as coisas menores fazem diferença.
Por mais que meias sejam leves, você não precisa levar 10 pares! E em viagens em áreas urbanas, parar em uma lavanderia (ou você mesmo lavar algumas peças de roupa) lhe permitirá diminuir bastante a quantidade de roupas. OS itens marcados como Opcional são os primeiros que devemos questionar a necessidade, principalmente se forem pesados, ou em grande quantidade.

PASSO 4: Substitua ou “Posso substituir por algo mais leve?”
Há alternativas mais leves para a maioria das coisas que levamos e embora algumas delas sejam consideravelmente mais caras, muitas não são!
No PASSO 2 você deve ter descoberto que os maiores vilões de peso são: mochilas (Indispensável), barracas (Importante), sacos de dormir, fogareiros e panelas (que podem ser Importantes ou Opcionais, dependendo da viagem).
Embora seja comum comprar um saco de dormir que suporte a menor temperatura esperada, devemos pensar na temperatura média e, nos momentos de frio extremo, dormir agasalhado. Isso permite comprar algo mais fino, e portanto mais leve e compacto! Já sobre as barracas, o mercado tem barracas cada vez mais leves e as varetas de fibra de vidro já não são as melhores opções. Pesquise bem antes de comprar!

PASSO 5: Reduza ou “É desse tamanho que eu preciso?”
Você pode optar por levar uma panela pequena de alumínio (ou até uma marmita de alumínio) ao invés de uma panela convencional ou deixar sua mochila cargueira de 80 litros e levar uma de 20 litros em uma viagem curta! De um modo geral, quanto menor mais leve!

PASSO 6: Roupas ou “Que tipo de tempo eu irei enfrentar?”
Esqueça as várias calças de frio e leve apenas 1 peça correta. A tecnologia está a seu favor!
Num clima frio não há porque levar 3 blusas de lã e 2 calças jeans. Se 1 não esquentar o suficiente provavelmente 2 não o farão melhor! Pense por camadas: 1 camada de baixo, 1 camada de aquecimento e 1 camada de isolamento! Todas as marcas de roupas para trilha hoje em dia adotam essa abordagem por ser extremamente eficiente e o preço está ficando cada vez mais barato.
Quando chuva é algo provável, jaquetas impermeáveis são excelentes e existem opções para todos os bolsos. Minimizar peças de roupa é um modo bastante eficiente de diminuir o peso.

PASSO 7: Cantil ou “Haverá aguá disponível?”
Que o ser humano precisa de aproximadamente 2 litros de água por dia todo mundo sabe, mas você não precisa carregar tudo isso o dia todo!
Lembrando que cada litro de água pesa 1 kg, seu cantil pode ser um grande vilão e exceto se você for viajar pelo deserto, opte por um cantil menor e beba água sempre que houver oportunidade.
Se o trajeto for por área selvagem, lembre-se que bicas e nascentes são bastante comuns, mas nem sempre a água é potável. Algumas gotas de água sanitária são o suficiente para torná-la potável, por um custo insignificante!

PASSO 8: Comida ou “O que eu vou comer?”
Repense seu cardápio de forma a torná-lo mais leve e versátil. Você chegará a conclusão de que o fogareiro e as panelas podem ser opcionais na maioria das viagens!
Salvo em lugares de clima muito frio, você pode facilmente ficar sem uma refeição quente e optar por frutas secas, nozes e castanhas, barras de cereal, salame e similares, queijos secos e chocolate. Você não precisará cozinhar nada e poderá dispensar o fogareiro, o combustível, e a panela, o que irá diminuir bastante o peso final. Mas não aproveite para levar mais comida: entre 300 e 400 gramas de comida por refeição são suficiente para a maioria das pessoas.

PASSO 9: Confie ou “Não subestime as coisas pequenas!”
Não menospreze a economia de peso aparentemente pequenos!
Não pense que deixar de levar coisas leves não influenciará no peso final, pois a idéia é justamente o contrario: reduza o peso a ser levado aos poucos e mesmo nas coisas que parecem não influenciar. No final você verá que essas "poucas pequenas" costumam fazer uma diferença grande quando somadas.


Há vários outros pontos que podem ser considerados para minimizar ainda mais o peso do seu equipamento de viagem, mas adotando os passos mencionados acima é fácil fazer sua mochila pesar menos de 8 kg sem ter que abrir mão de toda a comodidade.

Eu virei adepto da filosofia de Excursionismo Ultraleve após minha viagem pela Estrada Real, em Agosto de 2008, quando carreguei aproximadamente 15 kg de equipamento nas costas por algumas centenas de quilômetros. A experiência foi tão desastrosa que a viagem terminou bem diferente do que fora planejado. Não cometa o mesmo erro, reduza o peso da sua mochila e aproveite!


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