sábado, 16 de julho de 2011

(Ubatuba) Pico do Corcovado: Subindo para ver o pôr-do-sol

Depois de todo a complicação antes da trilha, finalmente estávamos começando a caminhar. Mochila nas costas e sol alto e forte no céu - nem parecia inverno.

Início da trilha do CorcovadoDepois de passar por várias placas informativas, a trilha tem início de fato 500m depois do ponto final do ônibus, perto de um campinho de futebol (foto). Atravessamos 2 riachos e, imaginando que já estávamos na trilha, nos distraímos e acabamos errando o caminho (muitos se perdem nesse início e vão até a Aldeia Indígena Renascer), mas percebemos logo e nos encontramos depois de 20min: o prejuízo não foi grande.

A subida, no início, não intimida. Depois de 1h15 seguindo no caminho certo (depois que a subida começa, não tem como se perder), chegamos à Cachoeirinha (aproximadamente 220m de altitude). O nome é uma grande ironia, pois não passa de uma fina bica que escorre pela pedra. Descansamos 15min, abastecemos a água e seguimos.

Caminhamos por mais 1h e subimos até 450m de altitude (percorremos apenas 500m linear), para finalmente chegar à Igrejinha. Mas não espere encontra uma capela ou qualquer coisa do tipo, a Igrejinha é apenas o nome dado a uma pedra, de onde se tem uma bela vista panorâmica (mas que antes precisa ser escalada). A escalada é simples e a vista compensa, embora se repita 10min à frente.

O ponto realIgrejinhamente importante da Igrejinha (foto) é que ela é o ponto de avaliação da trilha: se você chegar nela já muito cansado é melhor desistir e descer, pois a subida desse ponto em diante fica MUITO mais acentuada e exigente! Mas nós estávamos determinados e partimos da Igrejinha às 12h, depois de 20min de descanso e um snack.

Se a subida até lá não estava fácil, depois ficou penosa. Havia trechos em que era preciso utilizar as mãos para “se puxar” morro acima por galhos e raízes. Subimos dessa forma por cansativos 300m de altitude (até os 750m) em quase 2h, até chegar ao último ponto de água da trilha, às 14h. O preparo físico se mostrava claramente insuficiente: o Rodrigo e o Flávio resolveram ir na frente, enquanto eu e a Mari ficamos descansando um pouco mais.

Continuamos subindo em ritmo lento. As mochilas (cheias de água para o pernoite) e as pernas ficavam mais pesadas a cada passo, mas a trilha não abrandava. Levamos mais 2h30 para chegar até o Acampamento 1 (aproximadamente 1050m de altitude) e ficou fácil entender porque muitos grupos optam por acampar nesse local e não no cume: além do espaço amplo, o Acampamento 1 está no final da subida mais castigante. Mais convidativo impossível! O Rodrigo e o Flávio já estavam nos esperando, aparentemente há bastante tempo. Nós mal sentamos para descansar e eles se levantaram, falando que nos encontrariam no cume. Como não havia muito mais tempo de luz do dia, e perder o pôr-do-sol não era uma opção, eles seguiram na frente e nós ficamos mais 15min, às 16h45 estávamos caminhando novamente!

A partir dali a subida fica mais amena e a trilha começa a seguir pela crista do morro. A vegetação fica mais fechada, mas a trilha continua marcada e sem possibilidade de se perder. Depois de 300m de caminhada quase plana, às 17h15, chegamos ao Mirante 1, de onde se pode ver todo o litoral e o Pico do Corcovado em destaque.

A visão bela e revigorante nos deu uma injeção de ânimo. Percorremos quase correndo os 350m até o Mirante 2, onde paramos apenas 2min para tirar algumas fotos e seguimos. O dia já estava chegando ao final, o espetáculo estava prestes a começar, e nós estávamos atrasados!

Por do sol no cumeNem vimos os últimos 500m (onde subimos 100m) e às 17h50 estávamos no cume. Rodrigo e Flávio chegaram 1h antes de nós, e já estavam fazendo piadas sobre o nosso desempenho. Outros 2 grupos (7 pessoas no total) também já estavam por lá, com acampamento montado e admirando a vista. Sem tempo a perder, largamos as mochilas, pegamos as câmeras e aproveitamos o maravilhoso pôr do sol (foto). Não havia uma nuvem no céu, e nós tiramos fotos até que o último raio de sol desaparecesse no horizonte.

Só então, com a luz das lanternas, fomos montar as barracas e comer. A lua já estava no céu antes mesmo de anoitecer, mas só após o sol ir embora é que notamos que ela estava cheia ao máximo, com todos os detalhes visíveis e em tonalidade avermelhada.

Enquanto montamos as barracas no pouco espaço que havia no cume, as estrelas apareceram e, mesmo com a claridade da lua cheia, foi possível ver o céu mais estrelado da minha vida, com a via láctea bem marcada no céu e estrelas que se misturavam às luzes de Ubatuba.

Como optamos por levar apenas lanches (para diminuir o peso) não teríamos comida quente para espantar o frio. O cansaço era imenso e às 21h entramos nos sacos de dormir e não saímos mais da barraca até o dia seguinte.

Quem estava:
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