sábado, 5 de fevereiro de 2011

(Ubatuba) 7 Praias: Lagoinha ao Cedro

A Trilha das 7 Praias é uma velha conhecida minha, embora não pelo mesmo nome. Desde a minha adolescência que eu vou acampar na Praia do Cedro, mas poucas vezes completei a travessia até a Praia da Fortaleza.

Dessa vez, além de percorrer a trilha passando pelas 7 praias, a ideia era testar alguns equipamentos novos (barracas, isolantes e mochilas) nessa trilha que é uma das mais fáceis (e belas) que conheço na região.

Trilha de PraiaPegamos o ônibus que sai da rodoviária de Caraguatatuba e vai para Ubatuba (R$5/pessoa) e, depois de uns 30min, descemos na Praia da Lagoinha. Seguimos a pé até o rio, no canto esquerdo da praia, atravessamos pela parte mais rasa (com poucos centímetros de profundidade pela manhã, mas 1m ou mais quando a maré sobe).

A trilha (foto) começa logo depois de atravessar o rio e segue praticamente plana e bem demarcada por 1km, quando então chega na primeira das praias: a Praia do Perez. Esse trecho é percorrido totalmente na sombra da mata, com alguns riachos no caminho (a água deve ser tratada antes de beber) e algumas casas. A Praia do Perez é minúscula, cheia de pedras e com poucas ondas.

Andando mais 400m pela mesma trilha chega-se à Praia do Oeste logo depois de passar por um restaurante (que só abre em datas de movimento). Essa praia, de areias escuras e sem onda é muito usada pelos pescadores, sendo bastante comum que esteja repleta de barcos na areia.

Continuamos caminhando ainda sem parar (a não ser para fotos) pois essas 3 primeiras praias não são as melhores e nem as mais bonitas. Seguindo por mais 900m pela trilha, passando pelo píer de uma construção embargada, chegamos à Praia do Bonetinho. Antigamente, quando eu era adolescente e a praia ainda era totalmente deserta, nunca dei muita atenção para ela. Mas hoje o quiosque (com ducha natural), a areia branca e fina e a água totalmente cristalina fazem dessa praia de apenas 400m uma das mais gostosas e bonitas que conheço! Paramos no quiosque para descansar e tomar uma banho de mar, mas acabamos ficando por 2h aproveitando o sol e esperando um pastel, que demorou 1h para ficar pronto.

A trilha recomeça no canto esquerdo da Praia do Bonetinho, logo depois do riacho. A trilha de apenas 300m, com pouca sombra e uma subida de +- 40m, chega na Praia (Grande) do Bonete. Como o próprio nome sugere, essa praia é muito maior que a anterior, com mar bravo e areia bastante inclinada que dificulta a caminhada. Andamos por 1km (toda da praia) pela areia, no sol do meio dia. No canto esquerdo da Praia (Grande) do Bonete, próximo à pousada, atravessamos o rio e seguimos as placas que indicam o caminho.

Nesse trecho está a maior subida do caminho, com 89m de desnível, que por ser uma ascensão direta é cansativa. Mas logo quando pensamos em fazer uma parada para descanso a subida terminou! Aproveitamos a vista do topo para tirar algumas fotos e recobrar o fôlego, e começamos a descer. A descida é tranquila e rapidamente chegamos à Praia Deserta.

A Praia Deserta foi deserta por muito tempo com uma ótima bica no canto direito. Mas atualmente, depois de campistas construírem abrigos de bambu ano após ano, alguns caiçaras resolveram ampliar esses abrigos e transformá-los em 2 quiosques de bambu, que normalmente só abrem em feriados. A bica, infelizmente, deixou de fluir depois da construção da pousada da Praia do Bonete, que redirecionou a água que ia para a bica para sua caixa d’água privada. Com tantas mudanças, a Praia Deserta, que sempre foi a mais favorável ao camping, tornou-se inviável e atualmente ninguém acampa mais lá.

Praia Deserte e Praia do CedroParamos para descansar nas pedras da costeira que separa a Praia Deserta da Praia do Cedro (foto). Enquanto eu e o Rodrigo fomos ver como atravessar a costeira, a Mariana e o Tony descansavam um pouco mais enquanto viam a maré subir. Rapidamente encontramos o caminho e atravessamos os poucos metros que separam a Praia Deserta da Praia do Cedro.

A Praia do Cedro é pequena e desabitada e antigamente, um caseiro (hoje falecido) morava na casa abandonada no canto esquerdo da praia. Existem 2 locais bons para acampar nessa praia (ambas na parte mais elevada, abrigadas da maré alta e com área preparada para fogueira): uma em cada lado da praia. O mar é bravo e a água é quente e bastante cristalina.

Acampamos do lado esquerdo, pois o lado direito já estava ocupado. Armamos as 3 barracas depois de percorrer 5km e, antes mesmo de comer, fomos recolher gravetos para fazer uma fogueira à noite. Às 14h pegamos os sanduíches que levamos (como seria apenas 1 noite, optamos por não preparar comida, para ter mochilas mais leves) e fizemos um pequeno almoço, complementado por frutas secas. Passamos o restante do dia aproveitando e descansando. Eu e a Mariana ainda fomos, pela costeira, até a Praia do Cedrinho: uma praia de difícil acesso, praticamente só de pedras. Por fim, presenciamos um belo pôr-do-sol alaranjado.

A noite estava muito quente, ao ponto que todos acabaram retirando as coberturas das barracas para dormir apenas na tela. Ao cair da noite, fomos acender a fogueira mas, depois de 1h tentando, desistimos! Os gravetos estavam bastante molhados e, mesmo tendo acendido a mecha, não conseguimos fazer o fogo pegar nos gravetos ou madeiras. Dormimos às 21h, frustrados por não ter fogueira, mas satisfeitos pelo belo cenário.

Informações Locais:
  • Escunas param todos os sábados na Praia do Bonetinho por volta de meio dia. Nos dias de maior movimento vê-se até 4 escunas levando em media 80 turistas cada à praia. Para completar, o quiosque dessa praia é incrivelmente lento e desorganizado.
  • Seguindo pelo rio da Praia do Bonete, há uma ponte que leva à vila dos pescadores. Lá há um restaurante e um boteco.
  • Não tem sinal de celular (nenhuma operadora) na Praia Deserta ou na Praia do Cedro. Nos demais pontos o sinal é fraco mas funciona, inclusive 3G.
Quem estava:
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