quinta-feira, 6 de novembro de 2008

(Ilhabela) Dia 05: Desafio até a Praia da Serraria

Às 7h15 acordamos, nos aprontamos rapidamente e saímos levando apenas água, barra de cereais e máquina fotográfica. O combinado era passarmos às 8h na casa do Aloísio, que fica na ponta esquerda da praia. Quando chegamos, ele já estava nos esperando e às 8h30 pegamos a trilha para o Saco do Eustáquio, que fica no caminho para a Praia da Serraria.

A trilha, bem demarcada e fácil de seguir, até a Cachoeira da Laje Preta tem subidas e decidas íngremes e nos tomou 1h até a cachoeira em si. Com águas cristalinas que formam um poço onde se pode mergulhar, lá descansamos por 10min. Continuamos a trilha e 30min depois chegamos ao sapezal que fica na região mais alta, e em seguida chegamos ao tão falado Taquaruçu, um grande emaranhado de um tipo de bambus (taquaras) que quando secos fecham a trilha, formando uma verdadeira muralha de espinhos e pontas onde chega a ser preciso andar agachado ou rastejar. Levamos 1h para atravessar o Taquaruçu e mesmo tendo 2 facões e um guia experiente o avanço foi lento, sofrido e bastante confuso. Embora tenhamos saído arranhados e com roupas rasgadas, depois de cruzar o Taquaruçu chegamos rapidamente ao Saco do Eustáquio.

Para chegar à praia do Saco do Eustáquio é preciso descer uma trilha de quase 20min, mas não descemos para economizar tempo (planejávamos visitar a praia, as ruínas de um antigo engenho e da antiga serraria na volta). Continuamos nossa caminhada passando por dentro do vilarejo do Saco do Eustáquio e seguimos em direção à Praia da Guanxuma. Em 30min estávamos lá, pois a trilha nesse trecho é bastante utilizada, mas pelos motivos já citados não descemos até a praia.

Vista da praia da GuanxumaSeguimos então montanha acima sem grandes dificuldades, sempre acompanhando uma mangueira preta que leva água até o vilarejo da Guanxuma. Chegando no alto do morro entre as praias Guanxuma (foto) e Caveira, tentei avisar minha família, pois lá pega sinal de celular, mas não consegui. Depois de uma pequena pausa para descansar, levamos apenas 40min para descer o morro e chegar à Praia da Caveira. Descansamos mais um pouco nessa que é a única praia realmente desabitada da Ilhabela e às 12h começamos nosso último trecho de trilha.

Subimos sem dificuldades a trilha (aparentemente bastante utilizada) que leva à Praia da Serraria, passando pelo Poço da Negra (que fica praticamente na metade do caminho) e em menos de 1h já encontrávamos as primeiras casas de pescadores. Chegamos na praia às 13h e percebemos que o vilarejo estava quase vazio: praticamente todos tinham ido até a “frente da ilha” naquele dia. Descansamos pouco mais de 30min e tentamos negociar com o único pescador que estava lá a volta de barco até à Praia dos Castelhanos, pois todas as nossas coisas estavam na casa do dono do camping. Infelizmente, o pescador pediu R$120,00, para apenas 45min de barco, o que achamos muito caro, então resolvemos fazer conforme o previsto: voltar a pé no mesmo dia!

Às 13h15, apenas com algumas barras de cereal no estômago, começamos a volta, que não foi menos sofrida ou corrida que a ida. Chuva no alto do morro da Guanxuma e nos perder por 30min no sapezal e no Taquaruçu foram as únicas diferenças em relação à ida. Chegamos de volta ao camping 18h30 completamente exaustos, famintos e escoriados.

Tomamos banho, trocamos de roupa (que poderiam bem ir para o lixo) o comemos enquanto conversávamos com um casal de São Carlos que havia chegado durante o dia. Pouco antes de dormir, fomos avisados que na manhã seguinte alguns moradores iriam de carro 4x4 até a balsa e rapidamente pedimos uma carona. Mesmo na incerteza, fomos dormir às 21h contando que não precisaríamos andar os 24km até a balsa.

DICA: Um bom facão e muita perseverança é indispensável para atravessar a região do Taquaruçu, um guia local também é altamente recomendado, pois o trecho é difícil.

Quem estava:
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