sábado, 18 de dezembro de 2010

(Síria) Dia 15: Crac des Chevalier

Às 8h já tínhamos tomado café da manhã e fomos conhecer as Norias milenares de Hama, bem no centro da cidade.

Infelizmente, as Norias estão paradas há alguns anos devido ao assoreamento e drenagem para irrigação do Rio Orontes, o que tornou a correnteza fraca demais. Aproveitando que estávamos na rua, comemos uma delícia da Síria: pão folhado recheado com queijo e mel (disponível em qualquer padaria por S£10).

Às 9h30 estávamos de volta ao hotel. Saímos novamente (agora de van) levando todas nossas malas no bagageiro: não voltaríamos para Hama.

MasyafDepois de 45min seguindo pela rodovia, paramos para conhecer Masyaf (foto): uma fortificação do ano 1191, incrivelmente bem preservada (S£75/pessoa)! Com 4 pavimentos de sistemas defensivos e pouca sinalização, acabamos andamos em círculos, perdidos. Depois de 45min ali, Masyaf acabou ficando ofuscada pelo Castelo de Saladin, visitado no dia anterior.

Continuamos de van até o Mosteiro de São Jorge, ornamentado em madeiras da Índia e imagens do santo. A igreja anexa exibe algumas peças de arte sacra em um ambiente escurecido pela fumaça das velas. Na verdade, o que realmente impressiona é a vista que se tem do Crac des Chevaliers, imponente no ponto mais elevado de toda a região.

Seguimos então por uma estrada estreita que serpenteia montanha acima. A chuva insistia em cair quando, às 11h30, chegamos aos portões. De frente, o castelo é menos imponente que a fortaleza Masyaf, mas ao atravessar o 1º portão (S£150/pessoa) a história é outra.

O Crac des Chevalier, diferentemente da maioria dos castelos que tem pessoas como referência, foi feito para os cavaleiros cruzados e seus cavalos. Nele, tudo é enorme! Corredores largos o suficiente para 4 cavalos passarem lado-a-lado, diversos estábulos espalhados por todos os lugares que comportam milhares (sim, milhares!) de animais, muralha externa com 10 torres equipadas com máquinas de guerra medievais (como trebuchets ou trabucos), fendas para arqueiros e murder holes. Para coroar, um fosso de +- 15m de largura e estacas no fundo separa a muralha externa do castelo interno!

A parte interna possui um vasto armorial, capelas e mesquitas, banhos, esgoto subterrâneo e calabouço. Há ainda 2 torres: uma para a filha do rei - com uma longa e estreita escada em caracol - e outra para o comando de batalha - com escada de degraus assimétricos e mão contrária. Ao final, acaba ficando fácil de entender porque esse castelo NUNCA foi conquistado! Tendo mudado de domínio apenas por rendição ou concessão.

Nas várias horas que durou a visita, me perdi inumeras vezes (felizmente abrigado da chuva). Não existem mapas ou sinalizações e isso chega a dar medo em alguns lugares (como o calabouço) pois não há vigias em lugar algum.

Crac des Chevaliers
Depois de 3h vagando por todos os lugares, finalmente encontrei a saída, em êxtase. O Crac des Chevalier é tudo o que o imaginário coletivo espera de um castelo medieval (foto)! Como se não bastasse, todo o local é muito bem preservado e estava praticamente vazio (novamente graças ao inverno). Certamente um destino imperdível ao visitar o Oriente Médio.

Na saída, pedimos para ficar na rodoviária de Homs, que era no caminho. Não precisamos esperar nem 15min e já havia um ônibus de partida para Damasco (S£100/pessoa), onde chegamos em 2h30, às 18h30.

A rodoviária de Damasco é um caos! Além de suja e desorganizada, era uma guerra pelos táxis. Então, como a mala da Priscila era muito grande e desajeitada, eu fui procurar um táxi enquanto ela esperava.

Achar um táxi foi a parte fácil, explicar que minha irmã estava esperando no terminal, não! O motorista não falava absolutamente nada de inglês (assim como eu não falo árabe) e foi preciso 20min de mímicas e mapas (com o táxi em movimento) para me fazer entender. Depois de tudo esclarecido (com a ajuda de outro taxista, que também não falava inglês), voltamos para pegar a Priscila (na verdade o taxista pensou que eu tinha deixado outra mala no terminal, e não uma pessoa). Quando ela entrou no taxi, todos caíram na gargalhada, inclusive o taxista, aliviados.

Fomos ao Hotel Al-Rabie, onde chegamos em 10min. O hotel é uma clássica residência medieval: sem luxos, com muitos quartos e um átrio central com fonte. Nos instalamos e saímos para jantar nos arredores.

A região é lotada de turistas, as mesas ocupam toda a calçada (os pedestres andam pela rua), todos fumam (narguilé, cigarro ou cachimbo) e os estabelecimentos não possuem nome. Em um desses restaurantes comi o melhor homus da minha vida (S£300, serve 2 pessoas): temperado com notas de noz-moscada, tahine recém-feito, azeite de oliva artesanal... e neve, que voltou a cair assim que sentamos à mesa, na calçada.

Ainda passamos num internet café para resolver detalhes da volta ao Brasil e dos passeios dos próximos dias, e só então fomos dormir, às 22h.

Informações Locais:
  • Hotel Al-Rabie: Sharia Sahsa, Souq Saroujah - Tel: +963 11-2318374. Há 15min da cidade velha. Proibido consumir bebidas alcoólicas - S£1600/duplo, banheiro coletivo e café da manhã (fraco).

DICA: Nunca deixe de pechinchar, seja o preço do taxi ou qualquer outra coisa! Como a pechincha é um dos costumes mais fortes da cultura árabe, o preço inicial é sempre, no mínimo, o dobro do real.


Quem estava:
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