sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

(Síria) Dia 14: Antiguidade

Saímos da cama às 5h15 para nos arrumar e estar prontos às 6h. Ainda estava escuro quando, pontualmente, saímos do hotel sem tomar café da manhã.

Serjilla


Entramos no carro e continuamos a dormir enquanto o Sr. Abdul, nosso motorista e guia, dirigia pela densa névoa da manhã. O balanço do carro e os cânticos das mesquitas chamando os fiéis para a 1ª oração do dia (às 6h) embalaram nosso sono por 1h30 até nosso destino: Serjilla.

Chegamos tão cedo que não havia ninguém para cobrar a entrada (S£150/pessoa). A cidade de Serjilla foi abandonada há séculos, em seu esplendor. O motivo ainda é um mistério, e a névoa conferia um ar ainda mais fantasmagórico à maior de todas as “cidades fantasmas” do norte da Síria (foto).

Por que as pessoas teriam deixado suas casas, utensílios, solo fértil e infraestrutura (aquedutos, templos e praças) para trás? Acontecimentos apocalípticos como guerra, peste ou terremoto seriam explicações possíveis se não fosse o fato de que não foram encontrados corpos no local - exceto dos que foram sepultados lá. A explicação mais plausível é a interrupção das rotas mercantes entre as cidades de Apamea e Atioquia imposta pelos árabes ao conquistarem a região.

Ficamos 2h em Serjilla e seguimos, novamente de carro. Passamos rapidamente por al-Bara, com paradas rápidas para fotos das tumbas dos antigos generais e continuamos. A estrada seguiu serpenteando montanha acima e em 30min passávamos por picos nevados acima das nuvens e desfiladeiros apavorantes em que a estrada ficava estreita ao ponto de apenas 1 carro passar por vez. Mas Sr. Abdul, experiente, nos tranquilizava sobre a estrada com seu inglês esforçado, enquanto a expectativa ficava cada vez mais incontrolável.

Às 12h, finalmente chegamos a Qal’at Salah El-Din (Castelo de Saladin, em árabe), mas mesmo antes de chegarmos sua imponência já se fazia notar pelos mirantes da estrada. Se a ponte levadiça em um desfiladeiro de 40m de altura não fosse suficiente (e era), as construções da época bizantina, ampliadas pelos cruzados e modernizadas pelos sultões bastariam. Além disso, estábulos para centenas de cavalos, murder holes, armadilhas e passagens secretas, mesquitas e seus minaretes, tudo encrustado em um cânion extremamente íngreme atendia a qualquer expectativa.

O local é imenso e digno de ser um Patrimonio da Humanidade pela Unesco (desde 2006). Eu, muito curioso, vaguei 3h por todos os lugares, aproveitando-me da total falta de fiscalização (que estava lá apenas para cobrar a entrada - S£150/pessoa), mas a Priscila se aventurou apenas pelas área internas do castelo. Como eu estava calçando botas de trilha, pude ir em cada canto do castelo (se estivesse usando outro tipo de calçado talvez não fosse possível), do bosque interno até a muralha mais externa.

Serjilla Saímos do Castelo de Saladin às 15h, e o Sr. Abdul já nos esperava, inquieto, no carro. Seguimos apressadamente para o restaurante onde almoçaríamos e, só lá, entendi o porque da correria toda: ele estava atrasado (e muito) para sua oração. Rapidamente ele se lavou, orou e então recobrou sua habitual serenidade. Depois disso almoçamos fartamente, e sem demora voltamos ao carro para seguir para o último atrativo.

Seguimos viagem por 30min até chegar em Apamea (entrada: S£150/pessoa), onde a longa rua colunada domina a paisagem. São 2km de colunas gregas e helenísticas em ambos os lados da rua (foto)! Tais colunas estavam no chão até poucos anos atrás, mas o processo de restauração conduzido por arqueólogos e engenheiros belgas está restaurando a exuberância da antiga cidade. Embora o visual seja realmente impressionante, pouquíssima coisa além das colunas está de pé, consequência dos inúmeros terremotos que periodicamente castigam a região.

Saímos de Apamea às 17h30 e em 30min estávamos de volta ao hotel, em Hama. Nos despedimos do Sr. Abdul e eu, cansado e com os joelhos doloridos, adormeci às 19h30, antes mesmo de jantar.

Quem estava:
Picasaweb + fotos