segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

(Turquia) Dia 03: Religião e História

Acordamos cedo e tomamos um café da manhã exagerado. O desjejum árabe (que ao contrário do tupiniquim, é uma das principais refeições do dia) foi exatamente como eu me lembrava: com tâmaras, damascos e cerejas frescos, pão pita e queijo feta magníficos, coalhada com especiarias... e pepinos, tomates e azeitonas frescas (essas nada parecidas com as em conserva ou salmouras que encontramos no Brasil). Para beber: café ralo como o americano e chá preto mais forte como o nosso café, ambos com leite. Desde minha última viagem ao oriente médio eu sentia saudade dessas combinações exóticas e deliciosas!

Depois de devidamente empanturrados para sobreviver o dia todo, fomos visitar a Mesquita Azul, uma das poucas atrações turísticas grátis da cidade. A imensa mesquita, finalizada em 1616, foi construída em apenas 7 anos! Totalmente em estilo clássico otomano, é uma das poucas no mundo (e a única na cidade) que possui 6 minaretes, sendo tão impressionante por fora quanto por dentro.

Sultanahmet Camii (o nome em turco) é utilizada diariamente para oração e muitos lugares são acessíveis apenas para muçulmanos. Os tapetes imensos, as cúpulas amplas, os belos mosaicos (da região de Izmir, famosos em todo o mundo) e vitrais fazem o interior da mesquita, que comporta impressionantes 10.000 pessoas, um lugar único de paz e contemplação (e algo ainda mais especial para um muçulmano).

Cisterna da BasílicaFicamos apenas 1h na Mesquita Azul e aproveitamos a proximidade para ir visitar a Cisterna da Basílica. Talvez pela minúscula entrada ou por ser subterrânea (como toda cisterna), essa foi a melhor surpresa de Istambul, e é ignorada por muitos turistas. A maior e mais bem preservada das várias cisternas antigas existentes na cidade tem a entrada em uma praça minúscula. Após passar pela bilheteria, uma descida (atualmente por rampa, mas antigamente era por escadas) leva à imensa galeria que tem proporções de uma catedral, construída no século VI. São 138m de comprimento, 64,6m de largura e 10m de altura, sustentados por 336 colunas (foto) de mármore esculpidas diferentemente e com o propósito de armazenar 100 milhões de litros de agua (mas hoje se encontra vazia).

A água gotejando do teto, o ar extremamente úmido, iluminação lúgubre e a música ambiente sombria tornam o lugar uma das maravilhas escondidas da cidade, que pode (mas não deve) passar despercebidas. Para completar, 2 misteriosas colunas decoradas com cabeças de medusa estão colocadas aleatoriamente; vale procurá-las. Já a loja de souvenires, o café e as fotos com fantasias podem ser ignorados sem receio.

Depois de sair da Cisterna fomos almoçar e em um restaurante que vimos em frente ao Grand Bazaar. Local simples, onde servem Gözleme - um tipo de crepe turco muito fino e leve - de espinafre (que é o mais tradicional) e Şasha - um tipo de kebab de carne, pimentão e vegetais grelhados; comida simples e saborosa. Na loja em frente comemos alguns Kataifi, outro doces turcos com pistache e algo parecido com fio de ovos crocantes.

Às 14h30, devidamente alimentados, entramos no Grand Bazaar e o espanto foi inevitável! Totalmente diferente do comércio de rua que vimos no dia anterior e da imagem passada pelo cinema ocidental. Tudo muito limpo, organizado e seguro; mas não menos lotado que o que vemos nos filmes. A área toda é imensa, dividida por setores (joalheiros de um lado, artesanato em metal de outro e tecidos em outro) e se perder é tão certo quanto comprar mais que o esperado. Entretanto, comprei bem menos do que gostaria (e tinha planejado) já que não pretendo passar o resto da viagem carregando as coisas.

Depois de 3h lá dentro, do pior café turco da minha vida (na cafeteria mais charmosa que vimos) e de um bate-papo descontraído com um joalheiro paulistano (cuja loja é repleta de bandeiras do Brasil, onde uma boa conversa rende descontos), voltamos para o albergue.

No caminho, comemos Gözleme novamente (em outro lugar), mas dessa vez de queijo; sopa picante de legumes e inexplicável Mantı (raviólis turcos)! Chegamos no albergue às 20h e ficamos conversando com outros hóspedes até 23h, quando finalmente fomos dormir, cheio de expectativas para o dia seguinte, quando visitaremos Hagia Sofia!

Informações locais:
  • Cisterna da Basílica: Alemdar Mh., Şeftali Sk 6. Aberto todos os dias de 9h a 17h30 e a entrada custa 10TL/pessoa. Reserve no mínimo 45min para a visita.
  • Grand Bazaar: Mollafenari Mh., 34120. Aberto diariamente de 9h a 19h, exceto aos Domingos e feriados.
DICAS:
  • Para entrar na Mesquita é preciso tirar os sapatos, não sendo permitido entrar de shorts, minissaias, bermudas ou camisetas sem mangas. Uma espécie de túnica é fornecida aos turistas para cobrir o corpo.
  • Quase todas as sopas e cozidos são picantes e bastante carregados no tempero. Se você não gosta dessa combinação, é melhor optar pelos grelhados pois, mesmo pedindo sem pimenta estará com pimenta. É como o acarajé na Bahia...

Quem estava:
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