domingo, 19 de dezembro de 2010

(Síria) Dia 16: Perdidos na Antiga Damasco

Acordamos sem horário ou programa previsto. Tomamos o café da manhã sem pressa. Quando saíamos para dar uma volta pelas redondezas encontramos, por uma feliz coincidência, o Sr. Abdul na portaria do albergue. Ele tinha ido levar alguns turistas a Damasco e parou para conversar e tomar um chá com o proprietário.

Damasco é citada nos registros mais antigos já feitos pelo homem e provavelmente existe desde antes da escrita ser inventada! A cidade cresceu e expandiu-se durante muito tempo até ser murada, durante o Império Romano, para resistir às tentativas de invasão. Com essa contenção, a parte central da cidade (que hoje é chamada de Antiga Damasco) cresceu em cima e abaixo do que já estava construído. O resultado é o emaranhado mais caótico possível de casas sobrepostas (com idades e estilos totalmente diferentes), vielas escuras e tortuosas e praças semiabandonadas com monumentos feitos pelos inúmeros povos que já passaram por ali: Mari, Egípcios, Gregos, Persas, Romanos, Macedônios, Israelenses, Babilônios e todas as civilizações das aulas de história!

Aproveitamos a manhã para procurar outro albergue (o Hotel Al-Rabie é legal, mas um pouco caro para quem não está viajando sozinho). Felizmente, há uma infinidade de hotéis e albergues nos arredores da Shoukry Al Qouwatly, e resolvemos mudar para o Al Diwan Hotel.

Durante a tarde ficamos vagando pela cidade nova e almoçamos em um restaurante local recomendado pela recepcionista do hotel. No cardápio: homus, vegetais grelhados e cérebro de ovelha frito - nada fenomenal, mas sem dúvida diferente do que estou acostumado. Também aproveitamos parte do dia para descansar e resolver alguns problemas de viajante: ir à lavanderia, fazer backup de fotos, ler e-mails e avisar a família que ainda estávamos vivos.

Masyaf Somente de noite saímos para conhecer o Al-Hamidiyah Souq (foto). Um tradicional mercado de rua, coberto, repleto de lojas emparelhadas de diferentes ramos e que termina na famosa Mesquita Umayyad (ou Mesquita dos Omíadas), lugar sagrado para os muçulmanos.

O mercado se estende além de Al-Hamidiyah, ramificando-se por toda a antiga Damasco, entre as casas. E nós, caminhando despretensiosamente, acabamos perdidos por horas! Andamos por ruas residenciais que quase sempre terminavam em vilas ou becos, com habitantes que não falavam absolutamente nada de inglês (exatamente como o taxista do dia anterior). Ficar amedrontado foi inevitável: não por medo de violência, mas de não achar a saída do "labirinto", que ficava mais vazio à medida que as horas passavam. Somente quando as mesquitas começaram a chamar os fiéis para a última oração do dia, guiados pelo som que vinha dos minaretes, chegamos novamente à Mesquita Umayyad, e de lá voltamos direto para o hotel.

Depois de 4h andando, dormimos exaustos, sem jantar.

Informações Locais:
  • Al Diwan Hotel: Sharia Sahsa, Souq Saroujah - Tel: +963 11 231-8567. Há 15min da cidade velha - S£1500/suíte: café da manhã (fraco) e frigobar. 
  • Cafe Al-Noufara: na Antiga Damasco, junto à parede oeste da Mesquita Umayyad - Tel: +963 11 462-0110.
DICA:
  • Há varias placas de rotas de visitação turística na cidade velha e todas elas passam pela Mesquita Umayyad.
  • A ideia de se orientar pelo som das mesquitas parece boa, mas é arriscada pois existem muitas na região. As rotas turísticas pintadas no chão são mais indicadas.
  • A antiga tradição de contar histórias (muitas delas reais) é passada oralmente de geração para geração, e está quase desaparecendo! Mas ainda pode ser vista, de graça, todos os dias no Cafe Al-Noufara. O Sr. Abu Shadi é tido como o último contador de historias profissional (Hakawati, em árabe) em atividade.

Quem estava:
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